Ter a apólice na gaveta não responde à pergunta que importa: ela cumpre o que a convenção coletiva da sua categoria exige? A diferença costuma estar nos detalhes, e são detalhes que dá para conferir com os documentos certos em mãos.
Este guia mostra como fazer essa comparação, item por item.
O que separar antes de começar
- A convenção coletiva vigente da sua categoria, na sua região. Seu contador ou o sindicato patronal costumam ter o documento.
- A apólice e as condições particulares do seguro de vida em grupo, onde aparecem capitais e coberturas contratados.
- A relação de vidas seguradas mais recente, enviada à seguradora.
1. Confirme que a cláusula é a vigente
A comparação só vale contra a convenção em vigor. Pela CLT, uma convenção coletiva não pode durar mais de dois anos (art. 614, § 3º), e muitas categorias renegociam todo ano. Uma cláusula antiga pode trazer valores que já mudaram.
2. Compare o capital de cada cobertura
A convenção pode fixar valores diferentes para cada evento, por exemplo um valor para morte por qualquer causa e outro para invalidez por acidente. Na apólice, a invalidez às vezes aparece como um percentual da cobertura básica. Por isso, vale converter tudo para reais e comparar cobertura por cobertura, e não só o valor principal.
3. Atenção à forma de cálculo do capital
Existem dois formatos comuns de apólice:
- Capital fixo: o mesmo valor para todos. A comparação com a convenção é direta.
- Múltiplo salarial: o capital é um número de salários de cada funcionário. Aqui está a armadilha mais comum.
Se a convenção exige um valor mínimo em reais, a apólice em múltiplo salarial precisa atender esse mínimo para o funcionário de menor salário, não para a média.
Exemplo ilustrativo
A convenção exige R$ 20.000 por morte. A apólice prevê 12 salários. Para um funcionário que ganha R$ 1.600, o capital fica em R$ 19.200, abaixo do mínimo. Para quem ganha R$ 3.000, fica em R$ 36.000, acima. A mesma apólice atende parte da equipe e deixa outra parte descoberta.
4. Confira quem está incluído
Compare a relação de vidas com a folha de pagamento. Os pontos que mais escapam são funcionários admitidos depois da última atualização e afastados. O que a cláusula diz sobre quem deve estar coberto é o que decide; quando ela não é clara, vale confirmar a leitura com o sindicato ou com a assessoria jurídica da empresa.
5. Veja se há coberturas além da morte
Algumas convenções exigem mais do que a indenização por morte: auxílio funeral, cobertura de cônjuge ou filhos, ou outros benefícios ligados ao seguro. Se a convenção pede e a apólice não tem, é um possível ponto de atenção mesmo com o capital principal correto.
O que fazer com o resultado
Se algum item ficou abaixo do exigido, o ajuste normalmente é feito por endosso na apólice, sem precisar trocar de seguradora. Se a apólice estiver correta, ótimo: guarde a comparação junto com a convenção, porque ela será útil na próxima data-base.
Fontes
Este conteúdo é informativo e não substitui a leitura da convenção da sua categoria nem a orientação jurídica da empresa.

